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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Maria Côrte-Real: a fotografia e as problemáticas da identidade feminina



Maria Côrte-Real, IDEM + ID, 2013 [Película de 35mm. Impressão de prata, 40x50cm].


«A identidade é como um trabalho doméstico: “faz-se, faz-se, e nunca se tem nada pronto”.» Assim começa Maria Côrte-Real por definir o seu projeto de trabalho sobre a construção da identidade feminina aqui apresentado. IDEM + ID (2013) é um projeto de fotografia encenada que procura problematizar o eterno recomeço da definição da identidade da mulher através da performatividade diante da câmara fotográfica. Numa pesquisa estética que nos conduz a um certo sentido de surrealismo e de absurdo a partir da justaposição de diferentes elementos numa mesma imagem, a artista vai-nos sugerindo conceptualizações de diferentes estados de mulher, partes de um processo de metamorfose contínua. 

Maria Côrte-Real nasceu em Coimbra, em 1983. Estudou Artes Visuais - Fotografia, na Escola Superior Artística do Porto entre 2010 e 2013, frequentando, atualmente, o Mestrado em Estudos Artísticos, com especialização em Estudos Museológicos e Curadoriais, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto. Participou em exposições coletivas, quer como artista quer como curadora. Profissionalmente, tem desenvolvido o seu trabalho de fotografia na área do Teatro e das Artes do Espetáculo. 

F. J.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

João Taveira, fotografia e arquitetura


João Taveira, Sede EDP, Cais do Sodré, Lisboa, 2015.

Esta semana, o nosso blogue apresenta o trabalho de João Taveira (n. 1996) em torno da interpretação do espaço arquitetónico e urbano. O João começou a fotografar com 16 anos com uma Minolta analógica, o que o levou sobretudo à fotografia de rua. Depois entrou no curso de Arquitetura e começou a interessar-se por fotografia de arquitetura e a entusiasmar-se pela possibilidade de ligar os dois mundos. 

Fotografia e arquitetura encontram-se assim intimamente relacionadas no seu modo de entender e construir o mundo. Viagens exploratórias regulares a obras emblemáticas da nova arquitetura portuguesa ditaram um modo de abordagem fotográfica que se foca não só nos edifícios em si, na sua monumentalidade e pormenores, mas também no ambiente e nas vivências que essa mesma arquitetura consegue criar e assim adquirir um sentido pleno. 

A fotografia que partilhamos aqui e as que acompanham a divulgação deste trabalho no Tumblr e no Instagram da Fotografia Jovem Portuguesa procuram documentar, entre muitas, o empenho do João Taveira em captar o caráter peculiar da arquitetura moderna e das suas vivências (ver o Flickr e o Instagram do autor), uma via que pretende seguir embora reconheça que este tema não vai muito de encontro ao trajeto que os jovens portugueses tendem a perseguir. No entanto, sabe que o caminho faz-se caminhando e a singularidade é a via!

F. J.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Bruno Silva, a fotografia e a construção das memórias de infância


Bruno Silva, Sem título. Da Série «1995», 2015.

Bruno Silva é um jovem fotógrafo do Porto que se mostra particularmente comprometido com a rua, os sem-abrigo e os bairros sociais problemáticos da periferia urbana do Porto, situações a que procura dar visibilidade, como o bairro de São João de Deus (no Público). Por força dos temas e por opção pessoal, as suas fotografias são maioritariamente feitas a preto e branco, de noite, nas horas imediatamente antes do nascer do sol ou sob os nevoeiros cerrados da cidade do Porto. Quase sempre em película e quase sempre levada aos limites em termos de exposição e revelação, de modo a acentuar o contraste e a intensificar o grão sob influência dos grandes mestres que o guiam, como Daido Moriyama, Paulo Nozolino ou Trent Parke.

O trabalho que agora apresentamos, 1995, é o primeiro de um «tríptico da memória», de três séries fotográficas que o autor quer explorar a partir de diferentes locais com diferentes intensidades. 1995 é o ano em que o autor conheceu a zona onde a maioria das fotos foram feitas. Seguir-se-ão 2005, ano em que o autor se mudou para Coimbra, e 20151995 propõe, assim, uma viagem aos lugares da sua infância. Dentro do seu estilo habitual, o autor trabalhou à noite, a preto e branco, com flash, à chuva, daí resultando um trabalho esteticamente muito forte feito de altos contrastes. Velhas casas, muros e redes de vedações, gatos em cima dos muros, árvores e vegetação, estruturas desativadas, diversos objetos reaproveitados, marcas de pneus de automóvel no pavimento e sinais de trânsito destacam-se dos fundos escuros pela ação da luz do flash, que ao incidir nas gotas de água da chuva cria também a trama de pontos brancos que domina todo o trabalho. Em suma, estamos na presença de uma série fotográfica que marca o reencontro do autor com lugares da sua infância, por vezes profundamente alterados e agora redescobertos fotograficamente em horas “proibidas” às crianças.


F. J.


Links:

Bruno Silva


Fotografia Jovem Portuguesa



sexta-feira, 27 de novembro de 2015


Mariana Rocha, Hot Days, 2015.

Agora que chegaram os dias frios, muito frios, antecipando dias ainda mais frios, relembramos os dias quentes do ano que agora termina. Para isso, trazemos um trabalho de Mariana Rocha. A Mariana é uma jovem artista do Porto, onde nasceu e estudou fotografia e artes visuais, primeiro na Escola de Soares dos Reis, depois na Escola Superior Artística do Porto e agora na Faculdade de Belas-Artes, no mestrado em práticas artísticas contemporâneas.


As fotografias reunidas sob a designação de Hot Days foram feitas durante dias ensolarados e quentes do ano de 2015, entre o Norte e o Sul de Portugal, sob um céu azul, em viagens, passeios ou períodos de férias escolares com a sua pequena point-and-shoot Olympus Mju II. Representam, por isso, momentos vividos nesses «dias quentes» e assim relembrados. Além disso, essas fotografias espontâneas simbolizam ainda uma dualidade entre sensações quentes e sensações de frescura que se podem observar em cabelos soltos ao vento à janela de um modelo especial de Peugeot 106 (com estofos feitos em ganga) dos anos 90 do século passado, a década em que a Mariana nasceu, e por isso aproximadamente com os mesmos anos, uma gota de suor que escorre pela sua perna, fotografada em casa no calor dos dias de Junho/Julho, uma t-shirt molhada nas costas do namorado em plena Primavera, uma mangueira que rega um jardim nos dias secos do Verão, a sua mão submersa nas águas translúcidas e serenas de uma piscina segurando uma aliança oferecida pelo namorado, o brilho de um fio de pesca numa falésia sobre o mar do Algarve, etc. (Tumblr).

O trabalho da Mariana é, de um modo geral, isso mesmo, uma espécie de álbum de recordações pessoais partilhadas com as pessoas e os lugares da sua vida, autobiográfico, umas vezes intimista outras remetendo para uma ideia de precaridade, umas vezes real outras vezes ficcional. Hot Days tem tudo isso! A vida como projeto artístico!

FJ



Mariana Rocha 



Fotografia Jovem Portuguesa 



  

sexta-feira, 13 de novembro de 2015


Camila Guerreiro, The Wanted. Da série «Feed My Poetry», 2015.


Camila Guerreiro é uma fotógrafa e ilustradora brasileira natural de São Paulo, que se dedica ainda à pintura e relaciona toda a sua criação visual com a literatura. Para ela, as diferentes formas de arte complementam-se. Mas a fotografia tem vindo a assumir um lugar cada vez mais importante entre as suas opções artísticas. Enquanto o desenho e a pintura a obrigam a uma disciplina de atelier, a fotografia permite-lhe sair, ver lugares, encontrar pessoas e falar com elas. É assim que ela realiza a maior parte dos seus trabalhos, sem projetos demasiado elaborados ou ambiciosos, fotografando as pessoas ou as coisas que a rodeiam diariamente ou percorrendo lugares novos, observando e fotografando a vida à sua volta, as pessoas e as suas histórias. Dando e recebendo. Atuando assim, ela integra a fotografia na sua filosofia de vida como algo íntimo, emocional, algo que faz de forma natural, curiosa, poética. Com prazer.

A sua forma preferida de trabalhar é o analógico. Para ela, uma maneira de escrever poesia com as imagens. De todas elas emana um imaginário nostálgico que está, de certo modo, relacionado com o uso da película fotográfica, mas também com momentos que quer recordar, com homenagens que quer prestar às pessoas ou instantes que quer ter para sempre presentes na sua vida. Com efeito, as  suas imagens podem ser consideradas um meio de dádiva e contra-dádiva no sentido da socialização entre pessoas de que nos fala Marcel Mauss. O que a vida e as pessoas nos dão e aquilo que nós temos obrigação de lhes dar está sempre muito presente nas fotografias de Camila Guerreiro.

The Wanted é a fotografia das mãos de sua mãe segurando um ramo de flores e faz parte desse projeto intitulado Feed My Poetry exposto este ano na Galeria NeoGalateca, em Bucareste, na Roménia, a convite da Freya Art, tendo já dado origem a várias publicações e entrevistas da artista a nível mundial. É um trabalho que mostra bem a ligação com as pessoas e os lugares que ela fotografa. Desenvolvido entre o Brasil e a Roménia, o projeto de exposição teve como objetivo estabelecer uma relação entre os dois polos geográficos (a América do Sul e a Europa de Leste) e as duas nações distantes, mostrando um pouco da visão da artista acerca da Roménia com um pouco do Brasil. The Wanted é acerca da sua mãe e fala-nos das tradições, da santidade, do amor, do vínculo que entre elas existe e dos momentos que elas recordam para sempre. Tal como a manhã em que a filha tirou a fotografia, a manhã em que a mãe cantava para ela, como fazia quase todas as manhãs. Como a mãe da Camila é tímida, ela tirou apenas a fotografia das suas mãos, porque queria ter uma recordação desse momento para sempre. A ligação entre mãe e filha vai para além do que nos é dado a ver nesta imagem de amor e ternura e liga-se à história que a viu nascer e irá perpetuar para sempre.

Esta e outras obras de Feed My Poetry, continuamente desenvolvidas pela artista (ver Tumblr), fazem do seu trabalho fotográfico uma coleção de versos colhidos a partir de fragmentos de histórias de vida pessoais que contribuem para o nosso equilíbrio e nos deixam presos à reflexão. Feed My Poetry é assim um projeto intimista entre a artista e as suas “musas”, retalhos da vida que estão na origem de cada poema visual!

FJ

Camila Guerreiro



Fotografia Jovem Portuguesa

segunda-feira, 26 de outubro de 2015


David Gonçalves, Four Hours, 35mm, Ricoh Grs1, Kodak Tmax400, edição em Photoshop, 2015.


David Gonçalves (Lisboa, 1990), abre o nosso blogue com a partilha de um trabalho a preto e branco (FOUR HOURS, 2015) sobre os espaços e os usos da pornografia na sociedade contemporânea e com uma pergunta provocadora: «Poderá a exibição sexual levantar questões essenciais e ser encarada como uma forma válida de questionamento perante aquilo que nos rodeia ou apenas uma construção erótica incomum para ser consumida?» (do site do artista). Estamos abertos aos comentários e eventual problematização da pornografia como uma construção social.

FJ

sábado, 24 de outubro de 2015

Linhas gerais para submissão de trabalhos:

O objetivo do blog Fotografia Jovem Portuguesa não é a divulgação de portfolios online. As razões têm a ver com a linha editorial do blog e com as limitações que em breve essa política viria a impor.

Assim, o que propomos, e estamos a trabalhar nisso, é a publicação de imagens marcantes de projetos artísticos juntamente com alguma informação biográfica e também com as intenções do artista no projeto a divulgar. Cada artista poderá assim ter inúmeras publicações no blog, de acordo com os trabalhos novos que vai realizando e tornando públicos.  

A ideia, portanto, é que nos enviem imagens (podem enviar mais do que uma imagem por projeto, mas nós reservamo-nos no direito de escolher apenas uma imagem para divulgação) num tamanho e formato adequados para publicação online (por exemplo, 1000px no lado maior em formato jpeg). Informamos também que, de acordo com a política de blogs abertos a um público geral, sem limitações de qualquer ordem, temos limitações com conteúdo para adultos. 

As imagens submetidas para divulgação devem vir acompanhadas de um pequeno texto do autor acerca do trabalho, incluindo o título, ficha técnica e data de realização, nomes de pessoas envolvidas, se for o caso, etc. Como não pretendemos que os textos finais (elaborados por nós) tenham mais de 10/12 linhas, o que nos enviarem como memória descritiva do vosso projeto não necessita de ser muito extenso, apenas que contenha os dados fundamentais e as posições do autor sobre o seu próprio trabalho para que possamos entender os seus objetivos. 

Ao submeter-nos o trabalho, o autor aceita e concorda com a sua divulgação no blog e nas redes sociais em que ele venha a ser divulgado, assim como aceitará a decisão da nossa escolha no caso do envio de várias imagens por projeto.

Os direitos sobre as imagens publicadas no blog, consoante está indicado no rodapé da página, são propriedade dos seus autores.

Aguardamos novos trabalhos! A partilha será a base da nossa experiência!


Fotografia Jovem Portuguesa

fotografiajovemportuguesa[at]gmail.com



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Fotografia Jovem Portuguesa: um blogue para apreciação e valorização da fotografia portuguesa contemporânea

Fotografia Jovem Portuguesa funcionará como um blogue de apreciação e valorização da fotografia portuguesa contemporânea em conjugação com a partilha no Facebook, no Tumblr e no Instagram, sites amplamente participados e comentados. A curadoria do blogue será feita por gente com experiência em teoria e prática da arte e da fotografia contemporânea e o seu conteúdo será aquele que os fotógrafos jovens portugueses nos enviarem. O nosso convite estende-se a todo o mundo que fala português, que será a linguagem predominante do blogue, com o objetivo de cruzarmos ideias, experiências e linguagens artísticas. Nesse sentido, começamos agora a promoção do blogue e estamos abertos para receber e publicar os primeiros trabalhos, assim como notícias de inaugurações de exposições, de publicações sobre o tema, photobooks, sites, prémios, distinções, concursos, etc. A partilha será a base da nossa experiência!


Fotografia Jovem Portuguesa

fotografiajovemportuguesa[at]gmail.com