terça-feira, 10 de maio de 2016

Miguel Soll: manifestos visuais de uma geração



Miguel Soll

Miguel Soll, 22 anos, é um jovem fotógrafo de Porto Alegre, Brasil, estudante de Comunicação Social. O Miguel fotografa desde os 16 anos, quando aprendeu o essencial da composição e do fotográfico e se apaixonou pela fotografia como forma de combinar um espírito livre com a necessidade de expressar a sua juventude como tantos outros fotógrafos, desde Larry Clark e Nan Goldin a Ryan McGinley ou Mike Brodie, o Polaroid Kidd. 

Através da fotografia, ele explora de forma espontânea, com uma Olympus Mju, os momentos que passa com os amigos nos mais diversos lugares e situações, do âmbito privado ao espaço público, da casa e da escola à rua, criando narrativas ficcionais que se articulam com elementos biográficos da sua história de vida assim como documentam a sua própria experiência. 

A obra pessoal de Miguel Soll até ao momento é sobretudo um manifesto da sua geração e assim tem sido entendida em todo o mundo. Em Julho de 2015, ele expôs na galeria Galpon, em Porto Alegre, as fotografias da sua série Natural, onde questiona o que é «natural» (as plantas, a selva, o ficar nu) ou as maneiras artificiais de se tornar natural (drogas, álcool). 

Essa exposição marca uma abordagem ao mundo da arte, mas é sobretudo através da Internet que o seu trabalho tem vindo a alcançar uma dimensão global, particularmente através da divulgação dos numerosos trabalhos na área da fotografia de moda jovem e das entrevistas e solicitações de diversos magazines de fotografia contemporânea, onde vai construindo o seu estatuto de fotógrafo irreverente, de alguém que tanto ama como odeia a sua cidade, que tanto ama a fotografia como odeia tudo o que nela é comercial e que apenas pretende ser livre para criar e trabalhar naquilo em que acredita e que confere sentido à sua vida, para além do suporte financeiro. Um fotógrafo que, além da imensa produção pessoal e editorial, ainda se envolve também no registo dos protestos de rua e denuncia, porém menos do que gostaria, pela via da fotografia e da entrevista, a proteção que o Estado garante às corporações e ao capital contra as pessoas, que questiona tudo e que acredita e participa na luta pela defesa das comunidades locais de qualquer tipo (de agricultores, músicos, artistas) contra o imperialismo global.


F. J.


Miguel Soll 







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